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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Recaída de amor é como recaída de gripe: basta pegar uma friagem.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Esse meu olhar de mulher decidida é tudo fachada. Dentro de mim habitam os sonhos mais loucos e incoerentes, que travam uma luta interna com a minha consciência, que sabe que expô-los só vai me deixar mais exposta e vulnerável, além de ganhar muitos olhares tortos.

O grande problema é que a vida não segue script. Não adianta eu querer que ela seja do jeito que eu sonhei, porque ela é rebelde e vai me mostrar da maneira mais cruel que quem comanda é ela.
Sempre idealizei, fiz planos e acabei frustrada. Após fazer análise, meditação e coaching, descobri que fazer planos é um hobby para mim. Comecei a sonhar para fugir da realidade perturbadora da minha adolescência e continuo com essa fuga até hoje sempre que algo vai mal. Correr atrás do sonho, colocá-lo em prática dá muito trabalho, eu gosto mesmo é de ver a minha vida linda em uma tela imaginária de cinema.
Eu imaginava que, beirando os trinta anos, eu fosse uma profissional de sucesso, ganhando o suficiente para morar sozinha em um apartamento legal, decorado com móveis bonitos e paredes coloridas. Faria festas e jantares para os amigos ou ficaria na rede tomando um vinhozinho e lendo um bom livro, em um dia de descanso.
Eu teria resolvido meu problema com a balança e teria um armário com roupas lindas e que escolhi porque gostei, não porque disfarçavam os pneuzinhos. Sapatos lindos, vestidos e roupas sociais, porque eu posso adorar conforto, mas sempre sonhei em ir trabalhar arrumadinha, com terninho e maquiagem da Clinique.
E no fim de semana, às 11 da manhã meu interfone tocaria, com o porteiro avisando que meu namorado estava subindo, para passar um fim de semana gostosinho ao meu lado. Iríamos almoçar fora no Jardim Oceânico, depois daríamos uma volta na praia e voltaríamos para casa, para fazer amor. Depois da soneca, acordaríamos preguiçosos e escolheríamos um filme na internet, para assistir antes do jantar. No dia seguinte acordaríamos abraçadinhos, enrolados aos lençóis de 300 fios que eu uso diariamente na minha cama king size. E mais um dia lindo se desenrolaria.
Voltando à realidade, um dia me aparece uma criatura que tem muita coisa que eu sonhei para ocupar o lugar de meu namorado. Não é lindo, mas pode ser apresentado numa boa a qualquer um. Gosta de boa música, boa comida e o mesmo bar que eu amo. A conversa com ele flui e eu vou cada vez me envolvendo mais. Temos muito em comum e os 8 anos de diferença parecem 16 em termos de experiência de vida. Ele me ensina muitas coisas e eu o admiro, com aquela cara de perdida, querendo saber tudo o que já aconteceu na vida dele e achando tudo incrível.
Mas aí o candidato dá um baita furo: diz que já se comprometeu com outra e o lance é sério: ele mora com ela. Tenta ensaiar uma história triste para justificar, mas eu não quero escutar. Fico frustrada, triste e confusa. Depois vejo que é a vida de novo me pregando uma peça: pare de idealizar, senhorita. Você não vai encontrar um cara que seja tudo o que você quer. Tenho que abrir mão de algo e não pode ser o caráter. Revisei a lista de pré-requisitos, mas ainda procuro um cara fiel, que se satisfaça somente comigo e que, mesmo que olhe para outra mulher, lembre que eu sou a mulher da vida dele. E que ele sinta muita saudade de mim e me ligue, dizendo para eu me arrumar, porque ele quer me ver.


Não sei porque,mas esse texto simplesmente me descreve...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"Com tanto potencial pra acabar com a minha vida, sabe o que ele quer? Me fazer feliz.

Olha que desgraça. O moço quer me fazer feliz. Veja se pode.
Não dá, assim não dá. Deveria ter cadeia pra esse tipo de elemento daninho. Pior é que vicia. Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar. Dei de achar que mereço ser amada. Veja se pode.
Chega um desavisado com a coxa mais incrível do país e muda tudo. Até assoviando eu tô agora."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

"Eu não quero ir embora e esperar o dia seguinte. Porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. Se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fora do Comum

Queria que algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do mundo que nunca me dissesse "hey, tati, você se expõe demais" e que me deixasse ser assim e apenas me deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo resolvesse me magoar, porque eu sou briguenta, mas sou mais sensível que maria-mole na frigideira. Eu queria ir para um planeta onde não existisse tempo de beijar e tempo de pirar. E eu pudesse ir agora no seu mundo e te beijar até enjoar de você. E eu pudesse, de repente, gritar bem alto, porque me irrita esses milhares de sons tecnológicos que você faz. Para mostrar que meio mundo te procura enquanto eu não posso te procurar porque a cartilha da vovó que casou dizia que a mulher nunca pode procurar o homem se não quiser ser usada por ele. Eu queria mandar para aquele lugar a cartilha da vovó. E queria tirar essa voz do meu pai da minha cabeça, dizendo "minha filha, homem não gosta dessas coisas". Eu sei que sou exatamente o que 98% dos homens não gosta ou não sabe gostar (apesar de eles nunca me deixarem em paz). Eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma, dos meus medos. Basta eu ver um sinal de luz recíproca no final do túnel que mando minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou demais. Ninguém entende nada. E eles adoram uma sonsa. Adoram. Mas dane-se. Um dia um louco, direto do planeta dos 2% de homens, vai aparecer. E que se dane a natureza gritando no meu ouvido que não posso ser assim. Que a boa fêmea sabe esperar nove meses, portanto deve saber esperar uma ligação ou um sinal de "pode avançar no joguinho". Eu não sei esperar nada. E a natureza gritando no meu ouvido que então, já que sou birrenta, vou ficar sem nada mesmo. Porque é preciso saber viver. Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez em quando. Quem é essa natureza maluca, quem é esse mundo maluco? Quem são esses doidos que exigem tanta certeza e tanta "finesse" e tanta postura da gente? E eu queria te beijar até enjoar. Porque eu só sei curar uma vontade de me entorpecer de alguém quando sugo a pessoa até a última gota. O problema é que, nesse mundo sem graça com celulares que apitam e mensagens no Messenger que apitam e policiais mentais que apitam "hey, tati, segura a onda, não deixe ele perceber que pode comandar seu coração mole", ninguém mais sabe nem sugar e nem ser sugado até a última gota. Fica uma droga de um joguinho superficial de trocas superficiais. E ai de quem resolva sair disso. Vai ser tachado de louco de pedra. Maluco. E as meninas sonsas se dando bem, e eu dormindo abraçada com o travesseiro sem dono da cama de casal. Queria que ao menos algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. E repetir e repetir e repetir o erro. E jurar que da próxima vez eu serei normal. E jurar que da próxima vez eu obedecerei a natureza, meu pai, a cartilha da vovó ou as meninas sonsas. E virar a rainha dos 98% de homens que não sabem o que fazer com uma pessoa que nem eu. E depois chutar todos eles, porque no fundo tô pouco me lixando pra essa maioria idiota. Pode até ser meio solitário correr contra a maré, mas como é gostoso olhar a multidão do outro lado e enxergar todo mundo pequenininho.




Tati Bernardi.
Sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegasse o celular, não pegasse a internet, não pegasse a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegasse muito.


(Tati B)